sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Ellie

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
Queria pertencer de novo ao mundo e queria ser engrandecida por sua dor, não diminuída por ela. Não queria usar a tragédia que havia se abatido sobre ela como muleta, ou pior, como um pedaço de pau com que bater nos outros. Em vez disso, queria ser amolecida por sua dor, tornar-se mais humana, mesmo que isso significasse abrir-se para novas feridas, novas vulnerabilidades.

(T. Umrigar in: O Tamanho do Céu)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Frank

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
-El, escuta. Sei que o momento não é o ideal. Caramba, nem sei quanto tempo vai levar até arrumar um emprego depois de me formar. Mas eu prometo isso a você. Vou sempre tentar fazer você feliz. E você sempre vai poder contar comigo. Nunca vou abandonar você.

E ele havia cumprido sua palavra. Eles se casaram um ano depois, e Ellie sempre pôde contar com ele. Sempre, até aquela fatídica noite em que Benny morreu, quando ela precisou dele como nunca, e ele a abandonou para cuidar do seu próprio coração partido.

(T. Umrigar in: O Tamanho do Céu)

sábado, 22 de novembro de 2014

Um gato de rua chamado Bob

sábado, 22 de novembro de 2014
"Os gatos são notoriamente exigentes a respeito de quem eles gostam. Se um gato não gosta do dono, ele sai e encontra outro. Gatos fazem isso o tempo todo. Eles vão embora e passam a viver com outra família. Ver-me com meu gato suavizou-me aos olhos das pessoas. Ele me humanizou. Especialmente depois de eu ter sido tão desumanizado. De certa forma, ele estava devolvendo minha identidade. Eu tinha sido uma não pessoa; e estava me tornando uma pessoa novamente."


Há tempos não caía de amor por um livro. Ou terá sido por Bob, o gato? Ah, não importa!

Linda história, lindo livro, lindo laranjinha! Leitura leve, que emociona, que faz rir, que faz pensar como os nossos problemas são realmente pequenos perto de problemas que pessoas como James enfrentaram - e ainda enfrentam todos os dias. 

Termino essa leitura com a sensação de "ahh, que belo livro, quero mais!".

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

O que me faz pular

segunda-feira, 17 de novembro de 2014
(...) quando pulo, é como se meus sentimentos rumassem em direção ao céu. Na verdade, minha necessidade de ser engolido pela imensidão lá em cima é suficiente para estremecer meu coração.


O que me faz pular. Um livro de perguntas e respostas - ocasionalmente alguns contos - onde um garoto autista, Naoki, responde sobre suas condições, sentimentos, frustrações, limitações... É um livro útil, todos deveriam ler. A mensagem é um pouco repetitiva, basicamente "Não desistam de nós", mas acho que é assim mesmo que deveria ser.

É um livro humano. Cativa a leitura. Se todos pensassem como Naoki, o mundo seria um lugar infinitamente melhor.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Me ajude a chorar

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Não foi dessa vez que Carpinejar me fez chorar.

Considerando que o título do livro pode servir tanto ao leitor quanto ao autor, penso que ele sim deve ter chorado, e não precisou de muita ajuda, não.

Posso dizer que, em alguns momentos, Carpinejar me fez é refletir. As crônicas são bem escritas, contam um bocado sobre a vida, martelam bastante sobre uma (suposta) separação, mas sei lá, não fiquei com aquele sentimento de "que pena que acabei este livro". Talvez, digo 'talvez', eu não esteja na vibe para apreciá-lo do jeito certo.

Suas crônicas são cheias de verdade, isso é fato. Em uma delas, ele diz:

A deslealdade separa mais do que a infidelidade. A deslealdade é se trair por dentro.

Refletindo sobre as frases acima, penso que não só num relacionamento amoroso isso é verdadeiro. Em todo e qualquer tipo de relacionamento isso é uma verdade, e machuca igualmente. Quantos e quantos pseudo-amigos já me deixaram triste pela falta de 'lealdade'... coisas que você nunca esperaria que um amigo seu fizesse, e ele(a) vai lá e detona tudo, passa por cima de você e de seus achismos sem a menor cerimônia.

Não se pode ser amante, amigo, pai, mãe, irmão, sócio, seja lá o que for, sem lealdade. Não ter lealdade pelo seu par é o mesmo que não ter o mínimo de consideração por ele. É ser falso cem por cento do tempo, é estar ao lado somente por interesse, e nada mais.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Como eu era antes de você

terça-feira, 9 de setembro de 2014

"- Ei, Clark. Conte alguma coisa boa."

Meu horizonte se abriu um pouco mais desde que li "Como eu era antes de você". Há tempos eu não me via caindo em lágrimas e questionando os valores da vida. A vida é tão breve, tão curta, tão frágil, e mesmo assim ainda valorizamos mais os nossos pequenos problemas cotidianos do que a dádiva que é viver.

Amizade, amor, esperança, respeito, aceitação, são as palavras-chave desse maravilhoso livro. Uma estória simples e sem surpresas, mas de uma sensibilidade enorme, que tocará o coração de qualquer um que a ler.

"- Olhei pela janela para o céu azul-claro da Suíça e contei a história de duas pessoas. Duas pessoas que não deviam se encontrar e que não gostaram muito um do outro quando se conheceram, mas que descobriram que eram as duas únicas pessoas no mundo que podiam se entender."

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Anna

sexta-feira, 8 de novembro de 2013
Anna, em pé sobre o parapeito do terraço, oscilara para frente e para trás, embalada pelo som distante que sussurrava: and we can't build our dreams, on suspicious minds. Olhara o brilho das estrelas incontáveis, a claridade das centenas de janelas insones, os faróis dos carros abaixo, as pupilas radiantes de Eva. Olhara a imensidão de luzes noturnas e, inclinando-se em direção à voz abissal de Joplin, abrindo ainda mais os braços, tentara, num único salto, abraçar todas elas.

(C. Anes in: O Sonho de Eva)

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Emílio

segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Ter não é possuir. Pode ter-se até aquilo que não se deseja. A posse é o ter e o desfrutar o que se tem. Tinha uma casa, uma mulher e um filho, mas nada era, efetivamente, seu. De seu, só tinha a si mesmo, e não completamente.

(J. Saramago in: Claraboia)

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Justina

terça-feira, 20 de agosto de 2013
(...) Depois, outro ruído maior se interpôs: pessoas descendo a escada. Se fosse dia, Justina não deixaria de espreitar, mais por não querer ou não ter outra coisa para fazer do que por curiosidade, mas a noite deixava-a sempre sem forças, muito cansada, com uma estúpida vontade de chorar e de morrer.

(J. Saramago in: Claraboia)

sábado, 27 de julho de 2013

De Bello Gallico

sábado, 27 de julho de 2013

Ontem estive numa livraria sebo e, como de costume, fui dar uma fuçada nas seletas latinas. De repente, uma pilha de livros caiu sobre mim. Ao recolher os livros do chão, me deparo com esta obra que procuro desde a vida passada: Commentarii de Bello Gallico (Comentários sobre a Guerra Gálica), de Julio Cesar. Eu tenho a versão digital desse livro, mas há alguns anos procuro uma versão impressa em Latim. Estou feliz! Ganhei o ano!

Esse livro, datado de 30 de Abril de 1925, pertenceu a Otavio Paes Leme Zamith (1907 - 1997). Otavio tinha por volta de 18 anos quando assinou (e provavelmente leu) o livro.

Para saber mais sobre o que Julio Cesar relata em sua obra: http://pt.wikipedia.org/wiki/De_Bello_Gallico

segunda-feira, 11 de março de 2013

Ser fiel

segunda-feira, 11 de março de 2013

Não adianta ser fiel ao outro se a gente não é fiel a si. Mas não é simples assim: arenoso descobrir a nossa própria natureza e aceitá-la. Conhecer-me significa também não gostar daquilo que sou e ter que passar o resto da vida ao meu lado.

(F. Carpinejar in: Borralheiro: minha viagem pela casa)

sexta-feira, 8 de março de 2013

Das diferenças individuais

sexta-feira, 8 de março de 2013

Eu faço as minhas coisas, você faz as suas
Não estou neste mundo para viver de acordo com suas expectativas
E você não está neste mundo para viver de acordo com as minhas
Você é você, e eu sou eu
E se por acaso nos encontrarmos, é lindo
Se não, nada há a fazer.

(F. S. Perls in: Gestalt - Terapia explicada)

quinta-feira, 7 de março de 2013

O lugarejo favorito

quinta-feira, 7 de março de 2013

Alguma lágrima já consagrei a sua memória, num pavilhão arruinado que foi o seu lugarejo favorito e hoje é também o meu.

(J.W. Goethe in: Os sofrimentos do jovem Werther)

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Ufa!

segunda-feira, 7 de maio de 2012
Há tempos tento me inscrever no curso de Latim, mas como eu costumava lecionar nuns cantos por aí nunca encontrava uma brecha na agenda.

Pois bem, minha jangadinha virou a bombordo e meus objetivos mudaram. Acho que isso acontece com todo mundo, principalmente com aqueles que ainda não descobriram o que querem da vida. Simplesmente não sei o que eu quero ser quando crescer, rsrs.

Aí a gente aprende outro idioma, história da arte, música clássica e mais um montão de outras coisas, na expectativa de se encontrar no diferente, no novo.

Enfim, o post de hoje é só pra mostrar uma coisa: ganhei dedicatória e autógrafo de uma 'ave rara', meu professor de Latim :)

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Clack!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Tenho trabalhado tanto, mas penso sempre em você. Mais de tardezinha que de manhã, mais naqueles dias que parecem poeira assentada aos poucos e com mais força enquanto a noite avança. Não são pensamentos escuros, embora noturnos. Tão transparentes que até parecem de vidro, vidro tão fino que, quando penso mais forte, parece que vai ficar assim clack! e quebrar em cacos, o pensamento que penso de você. Se não dormisse cedo nem estivesse quase sempre cansado, acho que esses pensamentos quase doeriam e fariam clack! de madrugada e eu me veria catando cacos de vidro entre os lençóis.

Caio F. Abreu

I think I need a sunrise,
I'm tired of the sunset...



Augustana - Boston

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

diaD

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Igual-desigual

Eu desconfiava:
todas as histórias em quadrinho são iguais.
Todos os filmes norte-americanos são iguais.
Todos os filmes de todos os países são iguais.
Todos os best-sellers são iguais.
Todos os campeonatos nacionais e internacionais de futebol são
iguais.
Todos os partidos políticos
são iguais.
Todas as mulheres que andam na moda
são iguais.
Todas as experiências de sexo
são iguais.
Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e rondós são iguais
e todos, todos
os poemas em versos livres são enfadonhamente iguais.

Todas as guerras do mundo são iguais.
Todas as fomes são iguais.
Todos os amores, iguais iguais iguais.
Iguais todos os rompimentos.
A morte é igualíssima.
Todas as criações da natureza são iguais.
Todas as ações, cruéis, piedosas ou indiferentes, são iguais.
Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou
coisa.
Não é igual a nada.
Todo ser humano é um estranho
ímpar.

Carlos Drummond de Andrade

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Gosto muito da poesia de Drummond. Mas esta, em especial, passei a gostar mais por conta de um acontecimento do semestre passado.

Curso de doutorado. 21 alunos pingados de Engenharia dentro de um auditório. Uma matéria intergalática sobrenatural que falava a respeito de Matemática Computacional, ministrada por um professor com descendência direta do Mestre Yoda. Para que pudéssemos entender 1/3 do conteúdo de uma aula, era necessária a leitura de algumas bíblias computacionais, tais como: Algorithms (Cormen), The Art of Computer Programming (Knuth), Computers and Intractability (Garey & Johnson), Concrete Mathematics (Knuth), Computational Complexity (Goldreich), Complexity of Algorithms (Lovász) etc.

A avaliação do curso foi dividida em 3 partes: 1 super-hiper-mega lista de exercícios impossíveis; 1 projeto de implementação de um jogo INÉDITO - e NP-completo - em plataforma Android; e, 1 prova Exame, em sala de aula, que ninguém conseguiria resolver, óbvio.

O que a gente não faz por 3 créditos... Ou melhor, o que a gente não faz por 3 créditos OBRIGATÓRIOS.

A turma foi informada de que o projeto seria avaliado no dia do Exame, minutos antes da prova, através de uma 'competição'. Os jogos seriam testados por todos da sala e depois seria realizada uma votação. O melhor jogo teria a melhor nota. Em uma sala de doutorandos iteanos, quem não quer ganhar uma competição? Haha, todo mundo quer.

Três projetos competiam. O primeiro grupo desenvolvia algo baseado em TSP (Travelling Salesman Problem), e o segundo estudava algo relacionado ao problema do Battleship Solitaire. Os dois grupos foram previamente formados, as pessoas já se conheciam. O grupo que eu estava foi denominado de "os que sobraram", risos. Trabalhamos em cima da idéia de cobertura de vértices, ou, Vertex Cover.

O nosso jogo ficou muito bom. Realmente inédito. O ÚNICO inovador. Merecidamente tiraríamos a melhor nota, estava claro. Com o primeiro lugar do podium já ocupado, as outras duas equipes começaram a disputar a medalha de prata.

Alguns dias antes da votação, o primeiro grupo (o do TSP) havia se envolvido em comentários do tipo: "houve plágio no segundo grupo", "encontramos na íntegra, via Google, o jogo do segundo grupo". Plágio é um assunto muito delicado no ITA. Ato digno de desligamento do curso.

Quem não tem cão, caça com gato. Chegou o dia da votação. Ficamos com o ouro e o segundo lugar parecia direcionado aos integrantes da segunda equipe (a do Battleship Solitaire). Mas aí rolou o assunto do plágio... É aquela coisa, se você não foi capaz de fazer algo que realmente valesse o primeiro ou o segundo lugar, qual seria sua atitute? Derrubar quem ocupa a primeira posição parece meio distante... Mas e a segunda? Pois é!

É aí que entra a experiência do Mestre Yoda II. Antes de lançar qualquer palavra à turma, distribuiu o poema Igual-desigual, de Drummond. Claro, o Mestre poderia ter sacado o seu sabre de luz e cortado todos em pedacinhos, mas preferiu nos fazer pensar a respeito das acusações infundadas. Que a lição tenha sido aprendida.

Em seguida, o Mestre se voltou para a lousa, lançou 5 perguntas como Exame. E ninguém conseguiu resolvê-las de modo satisfatório. Óbvio.


segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Da minha aldeia...

segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo....
Por isso a minha aldeia é grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura...

Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.

Alberto Caeiro


terça-feira, 4 de outubro de 2011

Saudade do lado de lá...

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Em meio a um cristal de ecos
O poeta vai pela rua
Seus olhos verdes de éter
Abrem cavernas na lua.
(...)

Vinícius de Moraes


Imagem: Lisboa, Parque das Nações, Ponte Vasco da Gama sobre rio Tejo

domingo, 29 de maio de 2011

Da minha janela...

domingo, 29 de maio de 2011


Jota Quest - Só Hoje

É preciso estar distraído e não esperando absolutamente nada. Não há nada a ser esperado. Nem desesperado.

(Trecho de “Carta ao Zézim”, Caio Fernando Abreu)

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Happy New Year!!!

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
2009 tá acabandooooooooo! E agora??? Esperar por 2010!!!


Receita de ano novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade